Série “As DEZ Caras do Rock Baiano” - Com Caroline Lima, (Voz na Chá de Pensamentos), apresentando "Kansu" o seu mais novo projeto! Pular para o conteúdo principal

Série “As DEZ Caras do Rock Baiano” - Com Caroline Lima, (Voz na Chá de Pensamentos), apresentando "Kansu" o seu mais novo projeto!

A série “As 10 Caras do Rock Baiano” traz desta vez Caroline Lima, integrante do projeto experimental de música e arte Kansu Project , duo que conta também com Sérgio da Mata dividindo as composições. Na última quinta feira (28/03/2013), ás 22:30, foi lançado na página da Kansu Project no facebook o remix de “A Little Bit of Me”, seu primeiro single e, nesse ótimo papo descontraído e espontâneo, Caroline nos falou sobre o interessante processo de produção e gravação das músicas da dupla, suas influências e suas impressões sobre a cena local. Então se ajeite em sua cadeira, aproveite a entrevista, dê um curtir na página do grupo e “FEEL FREE”. 

SRP – O que é a Kansu Project, é um duo? E o que sgnifica? 

Caroline Lima - É um duo sim. Sou eu e Sergio da Mata, meu amigo de adolescência. Sobre o significado... foi a junção dos nomes de personagens de livros que escrevemos em 2002, também é o nome de uma província da China e o nome deriva desse idioma...alguns traduzem como "orquídea"...uma ideia de sofisticação. 

SRP – Quais são as influências musicais da Kansu Project? 

CL - Buscamos referências em bandas que escutamos na adolescência como Red Hot Chili Peppers (funky Mettal), Korn (Nu Metal), Pat Benatar, elementos eletrônicos, a exemplo das bandas Lacrimosa e Combichrist e da música pop. Basicamente, misturamos elementos do rock com ritmos eletrônicos e a essência da pop music. Há muito de música árabe e celta no restante do trabalho e nosso experimentalismo vem dessa proposta de misturar sem receio de ousar, pois são universos que fascinam a gente e acabam funcionando bem. Uma vez, uma pessoa que acompanha nosso trabalho nos disse que era preciso ter a mente aberta para entender Kansu Project e sentir-se livre. A ideia é bem essa: deixar-se envolver pela proposta experimental e sentir os pequenos e grandiosos elementos que foram impressos em nós ao longo do tempo nas composições. 

SRP – Muito bom, eu percebi algumas dessas referencias que você citou. Como elementos de “Breaking The Girl” do Red Hot Chilli Peppers e esse lance da musica celta e árabe também é bem evidente, esses elementos com a vertente eletrônica me fez lembrar em alguns momentos de "Mysterious Way" do U2. 

CL - Análises assim são sempre importantes! Ter esse feedback nos faz refletir sobre o que é produzido. E eu te falei que é tudo feito na nuvem? 

SRP – É mesmo? Interessante! Como funciona o processo de composição, produção e gravação neste formato? 

CL - Nós temos os equipamentos em cada polo: ele (Sergio da Mata) em São Paulo, onde grava as bases e mixa a voz usando um Macbook air e eu aqui com um Behringer condensador... componho as melodias vocais, faço as letras e gravo a voz com as bases enviadas via dropbox e skydrive...depois devolvo o material via os mesmos acessos da nuvem (web). Ele mixa e me manda o produto final. 

SRP – Muito interessante mesmo. É bom saber que há alguém fazendo isso em Salvador e é algo moderno, tem bem a ver com a atmosfera da canção de vocês! 

CL - É mesmo! É um processo diferente... 

SRP - E virão mais músicas? 

CL - É isso... a proposta de ousar...na verdade nem foi intencional...acabou soando tão diferente de tudo que relembramos muito do que o Sergio e eu compomos na adolescência. Desde os 17 anos a gente escrevia e cantava juntos... sem violão nem nada...orando para um dia musicar! 

SRP - É também aquela velha história da bagagem musical, não é? Na hora que vai colocar em prática, aparece um monte de elementos! 

CL - É sim!!! Muito! E tudo pulsa até que um dia você dá vazão! 

SRP - E como foi o start ou o restart para esse projeto? 

CL - Foi agora em janeiro... eu tenho muitas composições que escrevi ao longo dos anos e esse ano ele veio de viagem de Sampa e chegou aqui em casa com um Ipad...depois de compor uma música em 3 minutos, gravar e ter um resultado muito bacana, resolvemos retomar o que parecia um desejo distante no tempo. Só em janeiro gravamos e recriamos mais de 6 composições! 

SRP - Qual a possibilidade de haver uma apresentação de vocês, uma vez que há um integrante morando em São Paulo?? 

CL - Sim. Estamos realmente nos dispondo a colocar nosso projeto em prática. Temos começado a nos articular já com a intenção de planejar apresentações futuras. Depois dos lançamentos futuros, a exemplo do segundo single, é algo que podemos começar a materializar. 

SRP - E como você enxerga a cena rocker local atualmente, as bandas e os espaços lhe agradam? 

CL - Gosto das bandas que estão tocando e se reinventando ao longo do tempo na cidade. Já toquei no cenário underground e depois fui para o reduto Barra- Rio Vermelho. Eu acredito que é possível também se criar meios alternativos de fazer música na cidade hoje, como os teatros e espaços não tão conhecidos. O que precisamos é ter mais espaço para os trabalhos autorais das bandas que estão despontando. Tenho sentido que o cenário está mais favorável às bandas cover. Isso não é ruim, pois as releituras são sempre muito bem vindas. Mas há tanta música boa na cidade e no mundo que o novo deveria ser mais experimentado. 

SRP – Com certeza! Para finalizar, e já te abusando, quais bandas você indica para a gente escutar? Pode ser daqui de Salvador ou gringa! 

CL - Gosto de muita gente. Tive que peneirar... mas enfim. Tenho escutado muita coisa ao mesmo tempo...é como eu disse, um mix de elementos... na minha playlist tenho a Pat Benatar (estou escutando a discografia dela esses últimos tempos), os álbuns mais recentes dos Chili Peppers (“I’m With you”) e do Korn (“The Path of Totality”)... um por estar carregado em elementos novos e que desafiaram o trabalho da banda ao longo dos anos, sendo uma grata surpresa e o outro por ter ousado em mesclar NU metal e Dubstep e o novo álbum do Aerosmith (“Music From Another Dimension”) que eu achei muito bacana e bem equilibrado. E não posso deixar de indicar duas cantoras: Rebeca Matta que tem um trabalho muito bom e que gosto de escutar sempre que possível e Azam Ali, que não é muito conhecida no país, mas tem um trabalho vocal muito bom. 

SRP – Carol, muito obrigado pela entrevista. Foi um bate papo muito bom, descontraído, inteligente e enriquecedor. O portal Soterorockpolitano estará sempre aberto para você e a Kansu Project, assim como para a Chá de Pensamento também! 

CL – Valeu e parabéns a você e aos rapazes pelo site. Muito bacana contar com iniciativas como essa para desnudar ideias e compartilhar impressões.

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