L.Cima: O ouro do tempo Pular para o conteúdo principal

L.Cima: O ouro do tempo

Vira e mexe sempre nos vemos em uma situação na qual um disco ou uma música nos surpreende e esses momentos quase sempre surgem diante de um álbum anteriormente escutado, não compreendido e largado em meio às poeiras da estante. A sensação é sempre a melhor possível e remete ao fato de, no instante do “clarão”, se perceber como a bagagem musical acumulada pelo indivíduo entre a primeira e a última audição de uma obra é o suficiente para entender determinada canção. Isso é sempre acompanhado por uma mensagem subliminar escondida, muito bem guardada onde o álbum parece nos dizer: “Seu merda, e você pensando que já sabia de tudo!”. É como se a cabeça não funcionasse direito antes e passasse a trabalhar da forma correta. Isso se trata de momentos com discos como o The Dark Side of The Moon (que nos reserva boas surpresas) e de bandas ou discos mais situados em um grupo de musicalidade menos óbvia. Bandas como Tortoise, Fleet Foxes (o segundo disco) e o primeiro disco solo do Scott Weilland, a princípio, podem gerar certa estranheza aos ouvidos, mas depois se percebe que eles só estavam esperando pelo momento no qual o ouvinte encontre a chave certa para decifrar seus códigos. Chave essa que pode estar em outro disco, em uma mesa de bar e até mesmo quando se fala da vida dos outros em um chat do Facebook. O importante é que, quando se estabelece a comunicação entre as partes, o que estava perdido no tempo acaba se valorizando como ouro e a pessoa fica ávida por mais momentos como esse. Quem já viveu uma experiência como esta sabe do que estou querendo dizer. Para quem ainda não viveu, eu desejo que cheguem logo os seus primeiros fios de cabelo branco.

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O Pulsar Rebelde do Rock Baiano nunca tem fim! Por Sérgio Moraes

O rock baiano, desde suas origens, sempre foi um terreno fértil para a inovação e a fusão de estilos. Se olharmos os textos de Léo Cima aqui do blog "Soterorockpolitano", você vai ver que o cenário atual do rock na Bahia continua a se reinventar, mantendo viva a chama de suas raízes enquanto abraça novas influências. Nos anos 70 e 80, o rock baiano emergiu com uma identidade própria, mesclando ritmos regionais como o samba e o axé com as guitarras distorcidas e a energia do rock. Bandas como Camisa de Vênus e artistas como Raul Seixas marcaram época, criando um legado que até hoje inspira novas gerações. Atualmente, o cenário do rock na Bahia é caracterizado por uma diversidade impressionante. Bandas como MAEV (Meus amigos Estão Velho), BVOE (Búfalos Vermelhos e Orquestra de Elefantes), Entre Quatro Paredes, Demo Tape, URSAL, LUGUBRA, Declinium, Venice e muitos outros nomes trazem novas sonoridades, combinando letras poéticas e engajadas com arranjos que passeiam pelo indie, ...

Resenha de Shows: "Van Der Vous Experience!"

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Série “4 Discos de Rock Baiano”: Rivermann, Wombs in Rage, Peleja e Todas as Cores.

Dando continuidade a série “4 Discos de Rock Baiano” daqui do Portal Soterorock, trazemos mais uma vez registros fonográficos bem distintos entre si, com obras recentes e também com peso histórico significativo para acena local. Aqui, há o bom dialogo com suas respectivas épocas e a qualidade das gravações é o elemento que atravessa os anos, e dá a liga entre bandas/artista. O indie, o groove, o stoner e o folk muito bem representados aqui na Bahia. Neste momento, destacamos os trabalhos das bandas Rivermann, Úteros em Fúria, 32 Dentes e André L. R. Mendes. Rivermann – Rivermann Com um som influenciado por grupos norte americanos de guitar bands garageiras da década de 1990, mesclado ao rock inglês dos anos oitenta, o quarteto camaçariense Rivermann lançou o seu homônimo trabalho de estreia em 2013. As guitarras distorcidas deste EP de cinco faixas possuem uma certa melancolia que abrilhanta os acordes das canções, guardadas por uma cozinha firme e segura. As suas letras, ...