A última noite de sábado foi mais uma noite de incursão na cena rocker da cidade. Mais uma vez o Rio Vermelho era o lugar e o Irish Pub de lá oferecia uma noite com The Honkers, Os Jonsóns e Teenage Buzz.
Chegamos já no final da apresentação da Teenage Buzz e senti aquela sensação de ter perdido uma boa festa. Os rapazes estavam mandando muito bem nas canções de influência sessentista garageira, com uma pitada de Syd Barret e na performance explosiva bem característica de algumas bandas da década passada. É a Honkers fazendo escola. Eles só vacilaram em não terem levado o EP para eu poder tapar o buraco da parte do show que eu não vi. Dá próxima vez eu chego mais cedo, ou eles atrasam o som um pouco mais. Acho que terão vida longa no cenário. Ainda na atmosfera sessentista da noite, Os Jonsóns entraram no palco e desfilaram o seu repertório de boas canções. Esse clima e o som da casa favoreceram e muito a performance dos rapazes, que foi melhor do que a performance do momento em que os vi tocando pela primeira vez há dois mêses atrás. A excecução muito segura e direta e um público agitado aqueceram o lugar para a banda seguinte.
Eis que entra a The Honkers, uma das bandas mais importantes do cenário local e exemplo principal de resistencia da sua geração e exemplo de como ser uma banda de rock para aqueles que estão chegando. Já havia muito tempo que não os via ao vivo e tive o prazer de perceber que eu iria, depois de muito tempo, ver Pedro Jorge assumindo o seu posto de guitarrista na banda. Apesar do tempo de estrada, a banda não perdeu a força que tem no palco. Sim, os rapazes já estão um pouco mais velhos, assim como eu, mas a verve de outrora ainda está intacta dentro deles. As músicas com mais punchs, as performances com ápices sexuais, os momentos inusitados no palco, as participações especiais e o envolvimento do público fizeram do show uma grande festa para os presentes. Definitivamente a Honkers lavou a alma e segue firme no seu caminho das pedras que rolam (daquelas que não criam limo!).
Terminada a jornada, é a hora de voltar para casa. Na saída, eu jurei ter me cruzado com o canadense The Weeknd, mas era só um cidadão parecido. No táxi, apertado, fomos guiados pelo taxista George, que cantou algumas canções do Harrison para embalar a manhã que já estava surgindo. Tinha que ser assim, um taxista rocker para fechar uma noite rocker!!!
O rock baiano, desde suas origens, sempre foi um terreno fértil para a inovação e a fusão de estilos. Se olharmos os textos de Léo Cima aqui do blog "Soterorockpolitano", você vai ver que o cenário atual do rock na Bahia continua a se reinventar, mantendo viva a chama de suas raízes enquanto abraça novas influências. Nos anos 70 e 80, o rock baiano emergiu com uma identidade própria, mesclando ritmos regionais como o samba e o axé com as guitarras distorcidas e a energia do rock. Bandas como Camisa de Vênus e artistas como Raul Seixas marcaram época, criando um legado que até hoje inspira novas gerações. Atualmente, o cenário do rock na Bahia é caracterizado por uma diversidade impressionante. Bandas como MAEV (Meus amigos Estão Velho), BVOE (Búfalos Vermelhos e Orquestra de Elefantes), Entre Quatro Paredes, Demo Tape, URSAL, LUGUBRA, Declinium, Venice e muitos outros nomes trazem novas sonoridades, combinando letras poéticas e engajadas com arranjos que passeiam pelo indie, ...
