Série “As 10 Caras do Rock Baiano” Com Andrei Junquilho, vocal da banda Aphorism Pular para o conteúdo principal

Série “As 10 Caras do Rock Baiano” Com Andrei Junquilho, vocal da banda Aphorism


A terceira entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano” tem a presença de Andrei Junquilho, vocalista de estilo vocal singular da banda Aphorism e persona ativa no cenário rocker soteropolitano. Nessa entrevista, a gente conversa sobre o tão aguardado disco da Aphorism, os planos para uma nova turnê nordestina, os seus projetos paralelos, as ações do Coletivo Das Ruas, o seu ponto de vista sobre o rock na cidade e também sobre as bandas de quem ainda não migrou para a Dancehall. Como você já sabe se ajeite na cadeira, se prepare para uma entrevista com respostas recheadas de personalidade e sinceridade e escute Aphorism.

SRP - Como anda a Aphorism? Muitos shows? Ensaios? Gravações?
Andrei Junquilho - Então, shows como sempre em SSA andam fraquíssimos, ainda sofremos com esse problema de shows em locais fechados, creio que mais pela falta de espaço, você também é músico e sabe que por aqui as casas de shows acabaram e as poucas que ainda funcionam estão com problemas de pauta. A demanda é bem grande. Sobre ensaios, estamos ensaiando pouco devido a pequena frequência de shows, havíamos feito uma sequencia boa de ensaios, mas como já temos mais de 70% do disco gravado já não é tão importante assim a questão dos ensaios nesse momento, ainda mais que todas as partes instrumentais já foram gravadas. Só resta a parte vocal mesmo do disco. Estamos acertando umas coisas para Maceió e Vitoria da Conquista para o segundo semestre também. Creio que após a finalização do disco ficará muito mais fácil fazer muito mais coisa.
SRP - Isso, queria saber da agenda de vocês. Recentemente vocês fizeram apresentações na Paraíba e em Pernambuco, como foi a experiência dessa turnê nordestina???
AJ - Na verdade foi uma mine mine mine super mine tour, né? Rsss... tinhamos ate fechado na mesma época com Maceió, mas houveram alguns imprevistos por lá e seguimos direto para Paraíba e depois Hellsifilis (rsss).A parada lá é bem organizada, há uma organização muito maior até do que em SSA. Foi bacana, tivemos uma boa recepção, uma boa resposta e sempre o pessoal tem perguntado sobre um retorno.
SRP – Sobre o disco, então, com boa parte dele gravado, podemos esperar o seu lançamento para quando??
AJ - Isso vai depender muito se faremos físico ou virtual. Creio que só quem compra disco hoje são evangélicos (rsss), mas a ideia será algo de fábrica mesmo, prensadinho com encarte, agradecimento e o caralho, mas com certeza sendo da maneira "DIY" vai demorar um pouco mais, então creio que no mais tardar em agosto devemos ter algo, seja prensado ou em um hot site com capinha e todas outras presepadas de um físico para download também.
SRP - E a Wanda Cheese vai dar um tempo, ou ela ainda terá espaço em meio aos planos da Aphorism??
AJ - Rapaz, um dos integrantes disse que ia tocar rap, acho que deve ta fazendo como toda Salvador que tem migrado para o rap ou para o dub, lá eles acham mais espaço, né? Rssss. A Wanda parece que acabou mesmo, estou mais focado na Aphorism mesmo, temos muitos outros planos que espero que se concretizem. Veremos.
SRP - E como andam as ações do "Coletivo Das Ruas"? Têm acontecido muitos eventos realizados por vocês??
AJ - O coletivo hoje se resume a no máximo cinco pessoas e olhe lá. A galera morgou, acho até bacana que os eventos deixem de acontecer com certa frequência, pois a galera em Salvador anda meio conformada. Estávamos somente dando diversão e não havia um retorno, pelo contrario, pagávamos o aluguel do som, deslocamento e tudo mais que envolve uma produção de um evento para a galera no final das contas reclamar ou acostumar. Pense bem, se fizermos com uma frequência maior alegando não termos espaço e tal, quando tivermos e começarmos a produzir o publico que já não é tão frequente hoje deixará de ir aos sons e tal. Sabe como é a Bahia, man. Pessoal ainda pensa como província. Enfim...

SRP - Além do que você citou, o que você acha que empaca o cenário local, mesmo ele sendo feito por bandas tão diversas?
AJ - Acho que o que empaca mais é a questão da segmentação de gêneros. A moçada não tem uma cena consolidada e fica naquela coisa de metal não toca com punk que não toca com rockabilly que não toca com indie, saca? Acho que essa separação de estilos em determinados shows dá para fazer quando se ha uma cena bem consolidada e acredito que SSA tem muito potencial, mas conta com poucas bandas de gêneros diferenciados e dessas poucas digamos que uma quantidade mínima se salva.
SRP - Salvador tem dessas coisas, se você não partir para o "faça você mesmo", nunca sairá do lugar!!
AJ - Pois é, mas ainda existem produtores competentes no cenário.
SRP - E sobre as bandas daqui de SSA, o que tem te chamado a atenção????
AJ - Gostava mais das coisas mais antigas, apesar de não ser que nem essa molecada chata de hoje em dia que é vintage etc e tal, mas das mais novas tem a RCE (na minha opinião a coisa mais sensacional dos últimos anos), tem a Fracassados do Underground que me chama atenção pela simplicidade e feeling mesmo, a Macula (uma banda foda de Simões Filho. Não sei se região metropolitana poderia entrar, mas enfim...), The Pivos (sem palavras. Ainda farei meu projeto com o Ítalo), a Escarnnium (resgatando raízes do death metal, muito foda). Estamos fudidos, Leo. O que bomba hoje é festa de DJ e Dancehall. Gostava muito de Dead Bills, Sangria, Adcional, Escato (a maior banda crust do Brasil - merece um tributo, estou pensando em organizar com a galera), a Yun Fat, Cobalto (na época de Jam, Foca era mal, pose demais. rssss... sempre quis falar isso). A Charlie Chaplin também achava foda.
SRP - E em relação a som gringo? Vi que essa semana você postou vídeos no Facebook de bandas como Municipal Waste e A$ap Rocky, sons diferentes, mas interessantes...
AJ - Sim, sim. Municipal é uma paixão minha. O A$apy Rocky conheci há pouco tempo, mas achei sensacional (curto muito rap, tá vendo?). Tenho ouvido muito o Francis Harold and The Holograms, Flats, Odd Future (rap foda), Trash Talk e o HOAX. Hoax para mim é o ápice da explosão e da sujeira com um vocal doce e amável. Rssss
SRP - Falamos bastante sobre o cenário local, qual a mensagem que você pode deixar para aqueles que curtem a cena. E quais os canais que essas pessoas podem encontrar o som da Aphorism?
AJ - Primeiro queria agradecer a você, parabenizar pelo portal Soterockpolitano pelo trabalho realizado. A mensagem é que estamos juntos ai sem desanimar, muitos desanimaram, migraram para outros estilos, muitos usaram a desculpa que agora tem família, amadureceram e tal, mas uma coisa é certa, existe potencial nas poucas bandas de Salvador, basta fazer e não esperar por x ou y que produz, uma hora nego vai ver seu trampo bem feito e você começará a colher os frutos desse trampo. Quem quiser sacar a Aphorism tem uma primeira mix da musica que estará no nosso disco nesse endereço: CLIQUE AQUI!, essa música foi gravada no estúdio 2tone. Temos algumas coisas no youtube e a Sessão Entorte, um vídeo de um ensaio gravado também no estúdio 2tone em parceria com a Entorte Discos pelo Vimeo 

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