Ao ponto e adiante.* Pular para o conteúdo principal

Ao ponto e adiante.*


Um trabalho como este, lançado neste ano de 2016, não poderia passar despercebido aqui no Portal Soterorock. O disco em questão traz à tona, mais uma vez, o trabalho musical de um artista bastante atuante e presente na cena baiana (seja no palco, ou fora dele), e evidencia a sua qualidade quanto compositor, letrista e músico de primeira linha. Em seu segundo EP, Direto ao Ponto, Duda Spínola traz consigo uma boa quantidade da sua ótima percepção musical e acerta em seu resultado final.

Ao longo das nove faixas do cd, o cantor e compositor diversifica sem atirar para qualquer lado em suas canções, mirando justamente no que vê e, assim, criando uma unidade sólida e consistente dentro do seu universo. Composto por cinco canções inéditas, mais três do seu primeiro trabalho e mais uma lançada recentemente na coletânea Outro Jeito – Da Bahia Para o Mundo, Duda mostra também o quanto é competente dentro do estúdio, uma vez que ao vivo o seu desempenho chama a atenção pela sua técnica apurada junto a sua banda.

O disco abre com Quem é Você, faixa que segue um hard rock suave com refrão grudento e bom solo de guitarra, um aquecimento adequado para Sozinho no Universo, que surge mais vigorosa com guitarra de presença e cozinha idem. Com uma letra um tanto quanto existencial, ou que apenas mostra os dilemas da vida de um indivíduo que pode ser eu ou você, ela é frenética da maneira dela e passa uma certa urgência em seu conjunto. A terceira canção é o blues rock Ele e Ela. Muito bem equilibrada entre estes dois gêneros, ela conta a história de dois amantes que aparentemente não iriam se dar bem, mas que as boas surpresas da vida também acabam conspirando para as pessoas. O seu groove marca bem essa saga. Em Não me Diga Não, um teclado marca uma presença forte na trilha e a conduz a um refrão forte e certeiro. O solo de guitarra nela é poderosíssimo! Palavra é uma balada de mão cheia, com letra inspirada e melodia digna dos bons arranjos que possui. A guitarra com um efeito tremolo na medida certa, riffs apropriados, baixo e bateria com sonoridades que casam perfeitamente com a melodia dão um clima de anoitecer e reflexão ao lado da sua letra. É uma verdadeira pérola!

Espelho, música inclusa na coletânea já citada por aqui e primeira extra do Direto ao Ponto, se adéqua bem ao contexto da obra, muito pelo fato dela ser contemporânea às cinco anteriores. Um pouco mais pesada, ela não foge da sonoridade das que vieram antes dela e mantem a boa sequência das composições. O caminho para o final do disco é feito com mais três faixas bônus, todas extraídas do seu debut e são elas: Ponto Final, A Vida me Chama Lá Fora e A Vida Disse Não. Utilizar canções de discos anteriores em um novo trabalho é um risco que muito artista corre quando o faz. É 50/50 de dar certo ou errado, mas aqui, neste caso, deu muito certo e não comprometeu o desempenho do EP. Spínola soube escolher muito bem as canções bônus que entraram no cd. Mesmo com uma sonoridade um pouco diferente, ambas possuem qualidade e se aproximam muito das canções compostas exclusivamente para este disco.


Direto ao Ponto mostra com muita nitidez o caminho escolhido pelo compositor para seguir em sua carreira. Registro muito bem feito de um artista competente e carismático. Retorno a dizer que no disco e ao vivo ele mostra a sua competência como compositor, cantor e guitarrista, elementos raros de se encontrar em uma pessoa só. A forte influência de BRock em sua música, assim como o southern hard rock e seus companheiros de banda (claro), ajudam ele a moldar a sua identidade musical com muita personalidade. Há um bom caminho a ser trilhado pelo Duda Spínola e esse é um dos pontos significativos da sua trajetória. 


*Matéria originalmente publicada em 19/11/2016.

Popular Posts

O Pulsar Rebelde do Rock Baiano nunca tem fim! Por Sérgio Moraes

O rock baiano, desde suas origens, sempre foi um terreno fértil para a inovação e a fusão de estilos. Se olharmos os textos de Léo Cima aqui do blog "Soterorockpolitano", você vai ver que o cenário atual do rock na Bahia continua a se reinventar, mantendo viva a chama de suas raízes enquanto abraça novas influências. Nos anos 70 e 80, o rock baiano emergiu com uma identidade própria, mesclando ritmos regionais como o samba e o axé com as guitarras distorcidas e a energia do rock. Bandas como Camisa de Vênus e artistas como Raul Seixas marcaram época, criando um legado que até hoje inspira novas gerações. Atualmente, o cenário do rock na Bahia é caracterizado por uma diversidade impressionante. Bandas como MAEV (Meus amigos Estão Velho), BVOE (Búfalos Vermelhos e Orquestra de Elefantes), Entre Quatro Paredes, Demo Tape, URSAL, LUGUBRA, Declinium, Venice e muitos outros nomes trazem novas sonoridades, combinando letras poéticas e engajadas com arranjos que passeiam pelo indie, ...

Resenha: primeira noite do 6° Festival Bigbands.

No ultimo dia 08/08 saímos de casa para conferir um dos mais esperados e importantes eventos da cena rocker baiana a ser realizado esse ano. O primeiro dia da sexta edição do Festival Bigbands apresentava três bandas distintas entre si, porém com boa ascensão no cenário local, que geravam uma expectativa pela noite que estava por vir.             O Rio Vermelho estava razoavelmente bem movimentado, mas nem mesmo uma queda de energia da rede elétrica, que deixou parte do bairro as escuras, diminuiu a ânsia pelo inicio das apresentações dos grupos Van Der Vous, Ayam Ubrais (Ipiaú-BA) e Lo-Han. O trabalho de divulgação do festival foi muito bem difundido, tendo o seu inicio há mais de dois meses, possuiu campanha de crowdfunding no site Catarse, alem de dois eventos que antecederam o festival propriamente dito (o Warm Up Bigbands e o Faustão falando sozinho convida Festival Bigbands). Mesmo com tantas ações, o publico deixou de c...

Série “4 Discos de Rock Baiano”: Rivermann, Wombs in Rage, Peleja e Todas as Cores.

Dando continuidade a série “4 Discos de Rock Baiano” daqui do Portal Soterorock, trazemos mais uma vez registros fonográficos bem distintos entre si, com obras recentes e também com peso histórico significativo para acena local. Aqui, há o bom dialogo com suas respectivas épocas e a qualidade das gravações é o elemento que atravessa os anos, e dá a liga entre bandas/artista. O indie, o groove, o stoner e o folk muito bem representados aqui na Bahia. Neste momento, destacamos os trabalhos das bandas Rivermann, Úteros em Fúria, 32 Dentes e André L. R. Mendes. Rivermann – Rivermann Com um som influenciado por grupos norte americanos de guitar bands garageiras da década de 1990, mesclado ao rock inglês dos anos oitenta, o quarteto camaçariense Rivermann lançou o seu homônimo trabalho de estreia em 2013. As guitarras distorcidas deste EP de cinco faixas possuem uma certa melancolia que abrilhanta os acordes das canções, guardadas por uma cozinha firme e segura. As suas letras, ...