Lançamento duplo e um calcanhar dolorido. Por Leo Cima. Pular para o conteúdo principal

Lançamento duplo e um calcanhar dolorido. Por Leo Cima.


Como já é sabido de muita gente, a atividade do rock aqui na Bahia começa no início da semana, logo na terça feira, com o evento “Quanto Vale o Show?”. Se você gosta de rock e não sabia desse fato, provavelmente há algo de estranho em ti, ou precisa estar mais atento(a) a agenda local. Há quase três anos, o som periódico tem sido a morada de apresentações de artistas novos e veteranos, e também de ocasiões especiais, como a que aconteceu no último dia 18/07/2017. A Surrmenage e a Jato Invisível, duas das mais interessantíssimas bandas locais, lançaram seus novos trabalhos na praça.

O início da noite carregava o tempo irregular de Salvador por esses dias, com uma chuva que resolve cair do nada e que atrasa o lado de quem está para sair. Além disso, o meu calcanhar esquerdo machucado atrapalhava a caminhada apressada da minha casa até o ponto de ônibus, o aplicativo indicava que a condução estava a cinco minutos dali e o esforço extra fez aumentar a dor. Cheguei a pensar que era a idade pesando, não pelo incomodo, mas por não me lembrar de exatamente como me machuquei.

Enfim, sair e chegar até o local era preciso para ver os amigos, bater um bom papo e ver ótimas apresentações de rock. A tranquilidade do inicio de semana no Rio Vermelho é de um contraste imenso em relação ao seu final de semana, porém, a cada vez que ia chegando mais gente para prestigiar o som daquela noite, mais movimentada ficava a casa da festa. Deu um número bom de pessoas e uma verdadeira confraternização aconteceu antes e entre as performances dos grupos. Sempre há espaço para bons papos sobre livros, shows, ótimas lojas de discos que existiram e resistem, e de como o valor desse item tem estado caro demais em tempos de crise.

Antes das nove horas da noite, a primeira a se apresentar foi a Surrmenage lançando o seu disco, Headphoning Life. Mesmo com uma história no cenário e retornando depois de um hiato, ainda não tinha visto ao vivo o trio antes. Eles fizeram valer esse retorno, com composições de influência setentista e noventista, as mostrando de maneira segura e entrosada. O bom humor do vocalista Arthur Caria foi uma presença extra que marcou muito bem o desenvolvimento do repertório da banda, que possui a maioria de suas letras cantadas em inglês (o que, para mim, é bem interessante) e uma execução que a credenciaria facilmente a condição de rock de arena. Com um som bem preenchido, as bases impressionantes de baixo abraçaram bem as ótimas viradas de bateria e os marcantes riffs de guitarra, onde o destaque foi a canção Someday. Foi um lançamento de cd bastante marcante e de boa receptividade da audiência!

Depois, a Jato Invisível subiu ao palco para fechar a noite e lançar o seu mais novo EP, Veiculando Neuroses. Este disco é há muito tempo esperado pelos admiradores da banda, que cultivou uma expectativa grande pela sua chegada desde que a sua produção foi anunciada. Os próprios integrantes esperaram bastante por esse dia e isso trouxe uma excelente e diferenciada atmosfera para essa apresentação, que também foi marcada por participações especiais. A JI já vinha tocando este seu novo repertório em seus shows e isso amadureceu, e muito, as suas antigas e novas composições, que chegaram até aqui bem fixada na cabeça de que os acompanha. Já nas três primeiras canções do seu setlist o filho da Silvana Costa (vocal) e do Alex Costa (baixo), Mateus Costa, acompanhou o grupo na guitarra base, desempenhando muito bem a função e me levando a crer que o conjunto pode gerar novas possibilidades musicais com mais um integrante. O poeta Sandro Ornellas se juntou à banda para realizar ao vivo a sua contribuição na música Esperar Sentado (alguma coisa) e o cantor e compositor Álison Lima subiu ao tablado para dividir os vocais no cover de Me Perco Nesse Tempo, das Mercenárias. Remédio, como sempre, empolgou bastante. Foi uma apresentação de boas energias e daquela boa sensação (que vai ficar por um bom tempo na memória) de enfim ter lançado mais um trabalho.

No final de tudo, o meu calcanhar não estava mais tão dolorido, a chuva tinha voltado com mais força e o rapaz do UBER resolveu se perder no Rio Vermelho (acredite!), levando quase dez minutos para chegar. Mas quando a música alimenta os ânimos fica difícil algo se estragar!

Popular Posts

O Pulsar Rebelde do Rock Baiano nunca tem fim! Por Sérgio Moraes

O rock baiano, desde suas origens, sempre foi um terreno fértil para a inovação e a fusão de estilos. Se olharmos os textos de Léo Cima aqui do blog "Soterorockpolitano", você vai ver que o cenário atual do rock na Bahia continua a se reinventar, mantendo viva a chama de suas raízes enquanto abraça novas influências. Nos anos 70 e 80, o rock baiano emergiu com uma identidade própria, mesclando ritmos regionais como o samba e o axé com as guitarras distorcidas e a energia do rock. Bandas como Camisa de Vênus e artistas como Raul Seixas marcaram época, criando um legado que até hoje inspira novas gerações. Atualmente, o cenário do rock na Bahia é caracterizado por uma diversidade impressionante. Bandas como MAEV (Meus amigos Estão Velho), BVOE (Búfalos Vermelhos e Orquestra de Elefantes), Entre Quatro Paredes, Demo Tape, URSAL, LUGUBRA, Declinium, Venice e muitos outros nomes trazem novas sonoridades, combinando letras poéticas e engajadas com arranjos que passeiam pelo indie, ...

Resenha de Shows: "Van Der Vous Experience!"

Tarde/Noite de sábado prometia um happy hour rocker com a turma da Van Der Vous na barra. E foi exatamente isso o que aconteceu! Fui na ilustre companhia de duas amigas, que aceitaram o desafio de desbravar o rock soteropolitano, em noite de show do Elton John na fonte nova. Fase de mudanças também, na engenharia de trafego da cidade, (Não quero entrar em detalhes pra não estragar a resenha, mas quem quiser saber é só tentar dar um giro na cidade e estacionar o carro). Chegamos ao porto da barra por volta das 18 horas e foi fácil identificar o local do som, já que na porta, existia aquela velha “muvuca” com camisas pretas e visual descolado. Grupo não identificado por mim, já que neste momento me sentia um "tio do rock", vendo toda aquela galera novata. Mas vá logo esquecendo o preconceito bobo, não me incomodo nem um pouco quando o rock “daqui” mostra novas caras e renove o seu público. É gente tomando coragem de aparecer nos shows pra prestigiar as bandas e isso fome...

Série “4 Discos de Rock Baiano”: Rivermann, Wombs in Rage, Peleja e Todas as Cores.

Dando continuidade a série “4 Discos de Rock Baiano” daqui do Portal Soterorock, trazemos mais uma vez registros fonográficos bem distintos entre si, com obras recentes e também com peso histórico significativo para acena local. Aqui, há o bom dialogo com suas respectivas épocas e a qualidade das gravações é o elemento que atravessa os anos, e dá a liga entre bandas/artista. O indie, o groove, o stoner e o folk muito bem representados aqui na Bahia. Neste momento, destacamos os trabalhos das bandas Rivermann, Úteros em Fúria, 32 Dentes e André L. R. Mendes. Rivermann – Rivermann Com um som influenciado por grupos norte americanos de guitar bands garageiras da década de 1990, mesclado ao rock inglês dos anos oitenta, o quarteto camaçariense Rivermann lançou o seu homônimo trabalho de estreia em 2013. As guitarras distorcidas deste EP de cinco faixas possuem uma certa melancolia que abrilhanta os acordes das canções, guardadas por uma cozinha firme e segura. As suas letras, ...