Rock em fim de tarde de um domingo ensolarado. Por Leo Cima. Pular para o conteúdo principal

Rock em fim de tarde de um domingo ensolarado. Por Leo Cima.



No último dia quatorze de abril aconteceram  várias coisas, tantas que a agenda quase não deu conta para conferir tudo. Teve o primeiro jogo da final do baianão, o retorno de Game of Thrones em sua última temporada e, não menos importante, o show de lançamento do disco de estreia da Dom Sá, que contou com a abertura da banda Invena! Fiquei dividido, mas a musica mais uma vez falou mais alto e priorizei o encontro com ela naquela tarde ensolarada de domingo.

A gig foi no 30 Segundos, ótima casa que se encontra no Rio Vermelho e que periodicamente abre suas portas para o rock autoral da Bahia. As bandas em questão são bem próximas em suas propostas sonoras e a expectativa era de haver uma sinergia de sons que viria a agradar a quem estivesse presente no evento. Quando cheguei no local ele ainda se encontrava vazio, o público foi chegando de maneira tímida, mas ao longo do período foi se fazendo em mais volume. A ansiedade em tocar era visível nos músicos dos dois conjuntos e isso teve uma consequência positiva no que veio adiante em suas atuações.

Sem muita espera, a Invena subiu ao palco para a sua primeira apresentação do ano. Estreando sua nova formação, dessa vez com o baixista Yohan Mesquita no posto, o repertório bem ensaiado do quarteto, também formado por Suzi Almeida (vocal), PJ Oiticica (guitarra) e Ádamis Ribeiro (bateria), que vem há quatro anos tocando frequentemente na cena local, se refletiu na segurança e no bom desempenho do mais recém chegado ao grupo. O seu repertório autoral, fincado no pop rock e cada vez mais cheio de personalidade, também abriu espaço para algumas versões de outros artistas, mesmo que estas sejam cada vez menos presentes em seus shows.

O carisma da banda se fez presente mais uma vez e deu mais potência à sua performance, que foi bem percebida por quem já se encontrava por lá. Houve também composição novíssima e inédita do conjunto nesta ocasião com Alice, de pegada rock Brasil anos 1990 e refrão grudento, marca forte da banda. A sequência de canções escolhida pela banda funcionou bastante na matinê e agradou muito a quem, inclusive, não a conhecia, atraiu a audiência para vê-la na frente do palco e esquentou o clima do lugar para os anfitriões da festa.

Logo em seguida, a Dom Sá entrou com vontade para tocar as faixas do seu disco homônimo, as alternando com alguns covers. Com a casa cheia, o quinteto se saiu muito bem na execução de suas composições. Esta não foi a minha primeira oportunidade de ver os rapazes em ação, mas foi o momento em que, para além da festividade do lançamento do seu cd, o conjunto tocou em um local que deu para perceber melhor a sua musica. A sonoridade promovida pela casa deu mais brilho ao som ensolarado da Dom Sá, que transita entre o BRock e o pop, passando pelo reggae e com letras leves e descontraídas.

Fazem parte do perfil dos rapazes boas composições com potencial radiofônico, riffs firmes e boa comunicação com a plateia, que por sua vez já estava em maior número durante a sua apresentação e que cantava junto boa parte das suas canções. Um ponto de destaque no show do grupo foi a participação especial da candora Andreia Lemos na música Recados, na qual ela também aparece no EP fazendo dueto com o vocalista Thiago Peralva.

Com as boas energias vibrando pelo lugar após o término da jornada musical, as duas chamaram a atenção pela demonstração de segurança das suas músicas em cima do tablado. Ambas também vivem um bom momento de suas carreiras, fazendo muito shows pela cidade e sempre disponibilizando material novo para seus seguidores, seja nas redes sociais, ou nas suas aparições ao vivo. Aqui, cada uma seguiu essa lógica e, em celebração, animou e agradou a quem saiu de casa em meio a tanta opção de lazer, mas que preferiu privilegia-las.

Popular Posts

O Pulsar Rebelde do Rock Baiano nunca tem fim! Por Sérgio Moraes

O rock baiano, desde suas origens, sempre foi um terreno fértil para a inovação e a fusão de estilos. Se olharmos os textos de Léo Cima aqui do blog "Soterorockpolitano", você vai ver que o cenário atual do rock na Bahia continua a se reinventar, mantendo viva a chama de suas raízes enquanto abraça novas influências. Nos anos 70 e 80, o rock baiano emergiu com uma identidade própria, mesclando ritmos regionais como o samba e o axé com as guitarras distorcidas e a energia do rock. Bandas como Camisa de Vênus e artistas como Raul Seixas marcaram época, criando um legado que até hoje inspira novas gerações. Atualmente, o cenário do rock na Bahia é caracterizado por uma diversidade impressionante. Bandas como MAEV (Meus amigos Estão Velho), BVOE (Búfalos Vermelhos e Orquestra de Elefantes), Entre Quatro Paredes, Demo Tape, URSAL, LUGUBRA, Declinium, Venice e muitos outros nomes trazem novas sonoridades, combinando letras poéticas e engajadas com arranjos que passeiam pelo indie, ...

Resenha: primeira noite do 6° Festival Bigbands.

No ultimo dia 08/08 saímos de casa para conferir um dos mais esperados e importantes eventos da cena rocker baiana a ser realizado esse ano. O primeiro dia da sexta edição do Festival Bigbands apresentava três bandas distintas entre si, porém com boa ascensão no cenário local, que geravam uma expectativa pela noite que estava por vir.             O Rio Vermelho estava razoavelmente bem movimentado, mas nem mesmo uma queda de energia da rede elétrica, que deixou parte do bairro as escuras, diminuiu a ânsia pelo inicio das apresentações dos grupos Van Der Vous, Ayam Ubrais (Ipiaú-BA) e Lo-Han. O trabalho de divulgação do festival foi muito bem difundido, tendo o seu inicio há mais de dois meses, possuiu campanha de crowdfunding no site Catarse, alem de dois eventos que antecederam o festival propriamente dito (o Warm Up Bigbands e o Faustão falando sozinho convida Festival Bigbands). Mesmo com tantas ações, o publico deixou de c...

Série “4 Discos de Rock Baiano”: Rivermann, Wombs in Rage, Peleja e Todas as Cores.

Dando continuidade a série “4 Discos de Rock Baiano” daqui do Portal Soterorock, trazemos mais uma vez registros fonográficos bem distintos entre si, com obras recentes e também com peso histórico significativo para acena local. Aqui, há o bom dialogo com suas respectivas épocas e a qualidade das gravações é o elemento que atravessa os anos, e dá a liga entre bandas/artista. O indie, o groove, o stoner e o folk muito bem representados aqui na Bahia. Neste momento, destacamos os trabalhos das bandas Rivermann, Úteros em Fúria, 32 Dentes e André L. R. Mendes. Rivermann – Rivermann Com um som influenciado por grupos norte americanos de guitar bands garageiras da década de 1990, mesclado ao rock inglês dos anos oitenta, o quarteto camaçariense Rivermann lançou o seu homônimo trabalho de estreia em 2013. As guitarras distorcidas deste EP de cinco faixas possuem uma certa melancolia que abrilhanta os acordes das canções, guardadas por uma cozinha firme e segura. As suas letras, ...